22 de maio de 2017

Palavras que nutrem



À DESCOBERTA DO AMOR
Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol 
e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive á sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e fá-lo conhecer ao Mundo.

Mahatma Gandhi

2 de maio de 2017

Play Music #2

Alegoria do hoje


Eleger o sofrimento como tema de conversa é banal. Já nos habituámos a revirar os olhos de tédio ou a reflectir sobre ele.
Já fui tendencialmente pessimista e amedrontada. Cansei-me. Comecei, então, a adquirir conhecimentos científicos sobre o seu antónimo: o optimismo. Parecia tudo muito bonitinho mas faltava qualquer coisa. O foco elegeu a prática e o pragmatismo como fontes do saber. Fiquei satisfeita com o caminho encontrado.

É curiosamente estranho como, embora fale na primeira pessoa, sinta como se narrasse outra vida. 
Hoje se me perguntassem se sou positiva ou negativa, não saberia responder. Não me conheço muito bem após o desaparecimento de pessoas tão queridas num curto intervalo de tempo. Em especial uma: a mais próxima de mim.
Sou hoje um vazio por preencher, uma melodia monocórdica, um sentido sem poente. Uma voz que ora segue direcções aleatórias, ora foge e se encolhe. Não vá a crosta fina do coração ceder a mais uma derrocada. De súbito, não sei quem sou ou o que faço aqui.
Hoje é assim.