28 de setembro de 2016

Música





Um artista singular.

Primeiro como "Zé Manel", ex vocalista dos Fingertips e mais tarde a solo enquanto Darko tem sido uma referência musical; talvez por trautear estilos tão diferentes.

Após ter editado o primeiro álbum em 2011, regressou este ano, quanto a mim, melhor que nunca.
"Não me Digas" - single de lançamento - cativou-me bastante. Ouvir Over Expression (o seu segundo trabalho de originais) foi uma descoberta incrível. Entenda-se que apreciar um álbum de principio ao fim é pouco comum.

Eis uma das músicas pela qual me apaixonei desde a primeira audição: .
Letra incrivelmente bem escrita. Sentido e cantado pelo próprio em dueto em Mafalda Arnauth.

Deixem-se tocar e encantar. :)

27 de setembro de 2016

Leve sopro

Somos, fomos...tantos.
As memórias dos que passaram,  ficaram,  saíram e dos que permanecem sem serem vistos.
Eu,  tu, aquele e mais aquele desenhamo-nos uns aos outros em cada sopro trocado.
Assim flutuamos pela vida perfeitamente imperfeita - tal como é.

15 de setembro de 2016

Palavras com eco

Há palavras que dispensam apresentações, opiniões e afins; o eco perdura em nós.


If tomatoes wanted to be melons,
they would look completely ridiculous.
I am always amazed
that so many people are concerned
with wanting to be what they are not;
what's the point of making yourself look ridiculous?

 Mitsuo Aida, (1924 - 1991) – poeta Japonês.

Traduzido por mim.

Se os tomates quisessem ser melões
Seria o cúmulo do ridículo.
Muito me surpreende
Que tanta gente ande empenhada
Em querer ser quem não é.
Faz sentido tu próprio pareceres ridículo?

13 de setembro de 2016

Natação porque sim!




Nunca encarnei a personagem da miúda fit. Desporto a mais, por obrigação cuja motivação é o culto à embalagem – não obrigada – até deve fazer mal à psiquê.
A prática de uma modalidade de que gostamos e que aumente a qualidade de vida é o melhor que pode haver. 
Sempre adorei água. Em miúda vivenciei duas situações de quase afogamento que deram lugar ao medo. Na altura deveria ter sido trabalhada, ou seja, instigada a superar o trauma.
Em adulta, devido a uma dor cronica consequente de uma patologia osteoarticular, com graves alterações estáticas da coluna vertebral - desvio escoliótico lombar de convexidade direita com sinais de artrose – iniciei a prática de natação terapêutica. 
Não só obtive melhorias incidentes nos picos elevados de dor, agora com um intervalo maior de tempo, como, também, notórias alterações no meu estado global: mais solta e mais resistente.
No início passava as aulas a enfrentar o receio. Água no nariz era o cabo das tormentas. Ao recordar esses tempos dá vontade de rir. Vá lá, nunca filmaram as minhas caretas senão até poderia vir a ser convidada a participar num remake de Hitchcock
Pouco a pouco, ao meu ritmo, tudo se alterou. Actualmente, em dias bons, sem dor, chego a nadar 10 a 12 vezes a pista de 25 metros de costas.
É um momento muito meu. Não penso em nada; sou apenas eu e a água, faz-me sentir realmente bem. É terapêutico não só ao nível físico. 
Espero evoluir mais: aperfeiçoar os mergulhos com maior amplitude, por exemplo. Ainda não consigo soltar-me de bruços. O meu inconsciente tolda-me os sentidos… com o tempo chego lá.

Regresso às aulas após o verão a seco. :)

9 de setembro de 2016

Peça do puzzle

Os dias da nossa vida são peças de um puzzle tão nosso nem sempre compreensível 

Hoje de rajada veio a notícia do falecimento de um tio. Foi completamente inesperado; ninguém sabe o porquê de uma indisposição ter ditado uma sentença. 
Antes de assimilar e gerir a perda de um parente, preciso saber como – se é que é possível – transmitir a outro meu familiar directo, irmão daquele? Esta pessoa tem vindo a trilhar um caminho sinuoso, luta contra uma doença grave e encontra-se no limite das suas forças.  Espero conseguir amenizar os estragos na sua saúde tão frágil.

Em boa verdade, ainda não assimilei o que se passou hoje.

A peça de hoje demorará a encaixar.


7 de setembro de 2016

Jogos Paralimpicos 2016


Muito se fala de jogos Olímpicos e de jogos Paralímpicos enquanto estão a decorrer, claro! 
Fica sempre bem aos agentes de autoridade eleitos pousarem ao lado dos atletas.; se tiverem medalhas ao peito ainda melhor – tudo conta para o voto.
Esquecem-se de que o acesso ao desporto, amador e profissional, é um direito de todos. Nem só de futebol vive o homem – digo eu! 
Bem, não vou cortar mais na casaca de uns quantos engravatados. Vamos ao que interessa.

À data de 7 de Setembro de 2016 começam os Jogos Paralimpicos no Rio de Janeiro. 
Portugal faz-se representar por 37 atletas inseridos em 7 modalidades desportivas. 

Mais importante do que os resultados finais é o conhecimento, ainda que genérico, do que está por detrás das imagens, das campanhas e afins.
O que realmente interessa é o suor, a persistência e a impertinência de tantas pessoas envolvidas, profissional e voluntariamente. Quantos apoios negados? Meios de transporte, instalações de duche intolerantes à especificidade física da pessoa, são meros exemplos…

Sabem o valor das bolsas de preparação dos atletas Paralímpicos em comparação com os Atletas Olímpicos?

Será minimamente adequado empregarem-se conceitos como justiça, igualdade e inclusão?
Pois é, creio haverem senhores e senhoras inaptos a procurar no dicionário de qualquer idioma o significado dos vocábulos mencionados.

Porque o desporto aproxima as pessoas, supera barreiras e destrói muros (não só físicos), apoio os atletas que lutam, correm, suam, vencem e se superam, como todos nós. 

Força, campeões!


6 de setembro de 2016

The Gymnastica IV

Lembram-se da viagem a  Bürstadt? Cá vai o roteiro das "nossas" exibições.



O rol de exibições durante o festival era variado. Umas surpreenderam, outras exibiam uns trechos de tédio (perdoem-me a sinceridade, mas simples cambalhotas de trampolim já vimos e revimos), incluindo, ainda aquelas performances que estão no intermédio qualitativo. Apresentam-se em palco com boa técnica, criam boa relação com o público mas não chegam a escalar cume da excelência. Sempre considerei que enquadrávamos bem nessa categoria, pois, também, não “queríamos” mais.
Eramos um grupo composto por oito pessoas, cinco das quais portadoras de deficiência. A nossa performance consistia numa coreografia interpretativa de uma música, quanto a mim, muito gira. Tem uma mensagem simples e forte sem se tornar melodramática/chata.  Música "Read All About It" de Emele Sande. Ouvir aqui.

Curiosamente, após a segunda vez que actuamos fomos notícia num jornal local. Nos dias a seguir, outras equipas sorriram igualmente ao verem-se no mesmo jornal.

Ao terceiro dia, aliás noite, antes de entrar para o palco visualizei as pessoas na audiência e pensei: «desgraçados, vão ver a mesma cena de ontem e de anteontem.» Assim que nos viram, gritaram ainda mais por PORTUGAL – nós (risos!) – e acompanharam a coreografia erguendo a nossa bandeira. É uma sensação indescritível, – surgem formigas no estômago e na coluna – contudo, não permiti que me intimidasse, sentia-me satisfeita por ali estar.

Na noite de encerramento actuamos: apesar de algum cansaço, o entusiasmo era elevado. Desfrutei do momento: cada movimento e cada gesto coreografado foi sentido. Parece que venci o medo do palco. Deixei de me sentir como uma formiga no epicentro de uma manada de elefantes, como nas primeiras vezes em que actuamos no CCB. Respeito o palco e ele tem de fazer o mesmo. Divagações à parte.
Integrei o conjunto de exibições de encerramento. Basicamente, consistia num mix. Atletas de diversas equipas interpretavam excertos. “Calharam-me” duas ginastas acrobatas de origem nórdica, mais dois portugueses. Ironia da ironias: ao trocarmos impressões dou por mim a debitar inglês com um tuga. Rimos em uníssono, claro! Essa parte, ensaiada à pressa, decorreu. Contudo, uma das loirinhas desequilibrou-se. Em fracção de tempo pensei: «ainda bem que não fui eu.» É um bocado mau, eu sei mas…ups!

Quase no encerramento, todos os treinadores foram convocados ao palco. Eu não estava a pescar nada de nada! Quando a minha professora foi ao centro e ergueu “um objecto”, continuava sem saber em concreto, intui que algo se passava porque desatou tudo aos berros. Sabem que mais? Também gritei (risos!). Conclusão: o objecto que vira ao longe era a taça em prata: segundo lugar.

Como referi no primeiro post não era uma competição; as classes representaram o seu país através das instituições de suporte, logo a votação não foi meticulosa. Não tendo levado a sério, antes, aquele momento soube bem. Gostei que a professora tivesse recebido  o troféu por tantos anos a desbravar caminho. Bem como o meu ginásio – uma instituição com mais de 140 anos de existência, tem vindo a dar passos significativos na área do desporto integrado.
Naquela noite, em  Bürstadt saltou a rolha: às tantas da noite a gritar “Portugal olé” pelas ruas a fora.

Loucuras saudáveis que nos fazem sentir vivos – olé!