5 de maio de 2016

Situações Limite


O que são? Pelo que se observa, a definição difere consoante a experiência, a maturidade e o modo de estar de cada um.
Consideram-se situações limite, aquelas cujo risco de vida é eminente. Não só a vida como valor absoluto da existência, como, também, a vida tal como a conhecemos. Ou seja, o individuo experiencia uma vulnerabilidade desconhecida até então - doença crónica, tratamentos, ou acontecimentos críticos – em que o reajustamento e a adaptação são vitais; decorrem grandes alterações aos mais diversos níveis da vida funcional e emocional da pessoa. Na fase subsequente à integração do “acontecimento crítico” desenham-se as transformações que o processo de transição inclui: reconstrução do self e da identidade. Dá-se sentido a um novo insight. 
No quotidiano, é comum fugirmos de histórias tristes, episódios profundamente dramáticos, que abalam a nossa estrutura emocional. É normal evitar terramotos, a bem de um certo equilíbrio que nos permita vivenciar todos os parâmetros da vida que construímos. Virar a cara para não encarar o sem-abrigo olhos nos olhos, desviar o pensamento daquela criança com cancro em estado avançado são estratégias de evitamento intrínsecas à natureza humana. Não obstante a depressão é uma doença, por isso estamos formatos para preservarmos a nossa saúde [pelo menos] nos valores mínimos. 
A linha que separa as estratégias de evitamento criadas pelo cérebro e as atitudes comportamentais de puro egoísmo é ténue. Quantas e quantas vezes ignoramos o nosso dever de exercer a cidadania em prol dos outros, dos animais e do ambiente? Quantas vezes estamos indisponíveis para os mais próximos, sem justificação plausível?
As situações limite tocam à campainha, sem aviso, e entram pela casa dentro sem permissão. Por mais simulacros empíricos que tenhamos apreendido nunca, mas nunca mesmo, estamos preparados.
É necessário adaptarmo-nos a uma nova realidade. Subsequente à adaptação emerge na pessoa uma força para enfrentar o que se segue; a visão do mundo ganha outra dimensão, perspectiva-se a realidade sob ângulos diferentes, as prioridades sofrem alterações drásticas e o sentido da vida é reformulado, bem como os porquês.
Por mais aterrador que seja experienciar acontecimentos dessa natureza há três elementos fulcrais: a fé – incluindo o optimismo perseverante, o amor e a capacidade de delimitar pensamentos e sentimentos negativos e ansiosos.