21 de dezembro de 2016

19 de dezembro de 2016

Despertar de um sonho...



Nos meandros da concepção deste blogue, uma das rotas traçadas era a de ser um espaço positivo e arejado ao invés de uma espécie de canto de lamentações. O objectivo mantém-se mas hoje talvez vislumbre a linha que separa os campos.
Já por aqui falei da minha mãe enfrentar um cancro. Tem vindo a piorar de dia para dia. É um momento muito delicado.
Sinto-me longe; à deriva sem saber onde estou. 
Há quem me dirija as palavras certas e quem derrame todo o seu negativismo como um crude.
Já não é o cansaço que me embala, é um estado de esgotamento. Até a tarefa de respirar parece extenuante. Numa frase: quebro devagar.
Durante um tempo vivi o momento presente como tempo único. Aproveitar o agora sem dissecar o passado ou depositar no futuro a melhor versão de nós… é uma excelente forma de soltar amarras desnecessárias quando a vida flui. 
Este meu agora é sonho mau. Há demasiada dor à minha volta. Tempo e espaço são criaturas estranhas que deambulam sem tecto. Por  vezes resgato na esperança delicada o oxigénio que escasseia, sorrio sem conteúdo para aparentar uma normalidade falsa. 
Tenho uma lista de contactos por dar resposta por simplesmente não conseguir falar sobre o que seja. Temo que um "está tudo bem?","como vais? me faça desmoronar em lágrimas 
Estranhamente, ou talvez não, abordo outros assuntos para me distanciar da espiral derrapante e movediça. Cada vez sinto menos destreza para velhas reinvenções estratégicas.
Até sou optimista, pelo menos trabalho para isso, mas de momento não sei se me é permitido esperar por melhores dias.
Talvez desperte desta espécie de sonho.

11 de dezembro de 2016

Pensamentos #12




É saudável rir das coisas mais sinistras da vida, inclusive da morte. O riso é um tônico, um alívio, uma pausa que permite atenuar a dor.
Charles Chaplin

8 de dezembro de 2016

Uma árvore no deserto



Era uma árvore despida no deserto.
De raízes cravadas na areia, balançava a favor do vento, ignorando a sede.
Imaginava-se num jardim magnífico; ouvinte de histórias sussurradas à sombra de si, as brincadeiras e os abraços de criança eram o único alimento ilusório.
De tempestade em tempestade o tronco mirrava.

Por ali permanecia sem saber se estava à espera de sobreviver ou de se transmudar em fóssil.
Os fósseis nada sentem.

7 de dezembro de 2016

Play Music #1

Playlist - 7 ingredientes

Ouvir: U2 - Stuck In A Moment You Can't Get Out Of
Ouvir: Stromae - Papaoutai
Ouvir: Orlando Morais - figura
Ouvir: Mundo Cão - A Resposta é Sempre Não
Ouvir: Kings Of Leon - Use Somebody
Ouvir: Maná - "Mi Verdad" a dueto con Shakira

30 de novembro de 2016

M de música



Na esfera pessoal a música pode assumir múltiplos significados. Tem o poder de alterar estados de humor, seja uma emoção, um pensamento ou até um sentimento.
Tenho alguma dificuldade em segmentar gostos musicais por estilos. Vagueio por um mapa de referências em constante evolução. O que ouço suprime a necessidade do momento, ainda que seja uma mistura de álbuns. Tenho dias de reggae, de soul, de rock, de pop, de clássico, de flashback aos anos às décadas antecedentes e por aí a fora.
Música é palavra dita, sussurrada, calada... é melodia, é ritmo que pulsa.

Dito isto, está inaugurada a rubrica PlayMusic. 

27 de novembro de 2016

Pensamento #11




“Os momentos mais fortes de nossas vidas acontecem quando amarramos as pequenas luzinhas criadas pela coragem, pela compaixão e pelo vínculo, e as vemos brilhar na escuridão de nossas batalhas."

Brené Brown

18 de novembro de 2016

Hora de dizer basta

Dizem que a essência da vida consiste em andar para frente. 


Momentos há em que somos impelidos a tomar opções outrora inimagináveis. São situações inequivocamente inesperadas pautadas pelo sentimento de incredulidade. 
Há pessoas com quem temos um laço de parentesco, à medida que o tempo passa estabelece-se uma relação. Chega-se ao ponto em concebemos a ideia de que aquele ser é alguém próximo de nós afectivamente. 
Quando despertamos no meio de um filme indecifrável patenteado por diálogos ofensivos e acusações dirigidos não só a nós, mesmos, como àqueles que nos são mais que tudo e que por vezes não se podem defender,  a percepção altera-se substancialmente.
Nos primeiros instantes o coração aperta-se, gera-se o caos, a cabeça entra em modo de processamento a fim de compreender o que se está a passar.
A seguir surgem dúvidas: “será que compreendi bem o guião?”; “será que vi um episódio descontextualizado?”

Fiel ao princípio de que todos temos o direito a errar, procura-se esclarecer a posição da pessoa com a atitude de não-julgamento. É um momento crucial em que devemos estar serenos e conscientes de que aquela relação,  tal como era, deixou de existir. Importa aceitar que há duas opções em aberto: a) reconstruir o laço afectivo existente; b) a relação termina.

Posso partilhar que no caso em particular a opção b prevaleceu. Contudo, já passei por histórias em que a relação se reconstruir com pilares mais sólidos.

A reflexão a fazer remete para o seguinte: o término de uma relação de qualquer natureza não significa manter em nós aqueles sentimentos tóxicos aliados à mágoa. É melhor aceitar que simplesmente é como é. Se não resultou é porque não tinha de ser. Amor-próprio não é sinónimo de narcisismo como por vezes se pensa. Significa coragem! Coragem para não aceitar o inaceitável; coragem para dizer basta e afastar quem se mostra predisposto a tratar-nos sem respeito e autenticidade. 
Quanto mais verdadeiro for o amor-próprio maior será o amor ao próximo. Como tal, é pertinente aceitar os erros dos outros, perdoá-los e perdoarmo-nos a nós mesmos. Só assim se chega verdadeiramente ao fim de uma relação de forma saudável. Diria que, na prática, é inútil afastarmo-nos da(s) pessoa(s) se formos incapazes de desligar – fechar o livro, arrumando-o no local apropriado.
Nós é que escolhemos quais os afectos que queremos construir e alimentar. Os maus-tratos continuados entre adultos são o somatório de actos de violência física e psicológica. Sejamos fortes o suficiente para cortar o mal pela raiz e quanto mais cedo melhor. 

1 de novembro de 2016

Sensações que nutrem


Aquela sensação de cabelo em crescimento: cobre o pescoço e começa a querer tocar nas costas.
Aquele momento em que te permites desfrutar de cuidados dignos de um SPA, sentido-te mais leve e relaxada.
Aquele copo de água capaz de te saciar.
Aquele livro  na estante que te descobre.
Aquela música que possa a ser tua.
Aquela conversa tão simples e harmoniosa.
Aquele silêncio que queres compor.
(...)
São pequenos grandiosos momentos assim que tonificam as nossas raízes.

25 de outubro de 2016

Pensamentos #10




O somatório de todos os instantes é pequeno se encararmos a realidade como um valor absoluto. Os nossos olhos não alcançam a realidade omnipresente. 
Cada um de nós é uma peça fundamental, ao invés do puzzle inteiro. Crenças, julgamentos e verdades absolutas são cortinas opacas que tolhem o nosso crescimento humano.
Contas feitas, o mundo e tu existem ao mesmo tempo, são inseparáveis.

21 de outubro de 2016

Miúda cansada


Avistei-a ao longe. Movia-se a passo incerto, cabisbaixa com um olhar indefinido. O vulto triplicava o peso do seu corpo; carregava uma tristeza silenciada. 
Era uma história, igual a tantas outras, cuja personagem central podia ser qualquer pessoa. Só que aquele enredo era o dela, corria-lhe nas veias.
Chegou perto com olhos tristes. Perguntei porquê, estendendo a mão. Chorou no meu ombro, sem falar enumerou as lutas inglórias e intermináveis que travara. 
A miúda estava exausta, mal se detinha direita. O passar do tempo era-lhe doloroso, o espaço vazio; sem direcção ou destino.
A dada altura deixei-a partir, respirei fundo e segui o meu caminho devagar. É a única opção a tomar, tantas e tantas vezes.

19 de outubro de 2016

Pensamentos #9


       

 Tão somente assim se flutua por tanto mar,


18 de outubro de 2016

Matemática aplicada


Ora bem, na escola aprende-se que a matemática é uma ciência exacta. Sem direito a levantar o dedo para deambular por perguntas travessas.
2 + 2 = 4 certo?
Enquanto se anda na escola está certíssimo! Chega-se à vida dos adultos e descobrem-se umas quantas variações.
Vejamos algumas:

  • Vendedor:  2 + 2 =  5 ou 6 “e se for 8 és bestial.”
  • Comprador: 2 + 2 = 3 “ora, veja bem.”
  • Assessor de tacho:  2 + 2 = _______ “esquece lá isso, não te pagam para saber.”
  • Assessor de imprensa colorida: 2 + 2 = 2 “o 2 dormiu onde? Como é que não vejo o 3 a a fazer olhinhos ao 7?”
  • Técnico de base: 2 + 2 =112,00034 “Ora francamente! Como é que podiam ser 4? Na próxima avaliação vou-me lembrar disso.”



                                      «Adultos, quem os entende?» 

15 de outubro de 2016

À mãe...



Ao teu colo soube como florir
Pela  tua mão aprendi a caminhar
Nas ruas íngremes…
Nas tuas palavras compreensivas ternas e sábias
Refugio-me muitas vezes dos vendavais.
Admiro e preso a coragem com que vives
Dia após dia...
És tu, mãe! Sim, tu...
Essa mulher corajosa e sábia que quero ser um dia.
Amo-te muito e só com imenso amor te digo: obrigada mãe!


Escrito a 30-12-2010.
Dedicado à mãe, no seu aniversário.

9 de outubro de 2016

Pensamentos #8


"Não julgues as minhas decisões sem conhecer as razões."


Pode até ser uma frase corriqueira; não obstante, inúmeras são as vezes em que esquecemos que o outro tem: poder de decisão, o direito de acertar e de errar, as razões/ história de B são tão válidas como as de C, de D, de K e até de X.
Não julgar deve ser um exercício constante até se transformar em atitude. É simples.

2 de outubro de 2016

The Gymnastica V

Concluindo as histórias da viagem à Alemanha; podes (re)ler, clicando em cada uma.




A viagem a outro país, a estadia e a participação num evento intercultural em torno da dança interpretativa deixou marcas. Uma perspetiva nova e mais abrangente é inequivocamente a melhor definição desta história.
Naturalmente nem tudo pode ser perfeito. Sim, ocorreram imprevistos e até obstáculos a serem contornados – se não à primeira, à segunda ou à terceira. Faz parte!
Surpreendi-me com um sentimento, até então, adormecido. Ser português cá dentro é bem diferente de o ser lá fora. 
Como assim?

  • Decorriam as exibições com uma das classes em cima no palco; de repente ouve-se Amália Rodrigues a cantar «Gaivota» (ouvir aqui), arrepiaram-se todas as partículas de mim. Nos três serões seguintes, tal emoção reproduziu-se.
  • Encontrar tugas no meio da multidão tem um cheiro especial.
  • Um “obrigado” esforçado com prenuncia germânica suscita orgulho.
  • Ao entrar no avião de regresso os meus ouvidos captaram português bem falado e música portuguesa. Que bem que soube!
  • Sentir a minha terrinha, a minha caminha e aqueles mimos que só os nossos sabem dar… d e l i c i o s o!
  • Não há café como o nosso e nem a um preço tão bom (risos!).


Viajar é tão bom! Embarcava já amanhã se pudesse; daqui a uns dias, talvez. :)

28 de setembro de 2016

Música





Um artista singular.

Primeiro como "Zé Manel", ex vocalista dos Fingertips e mais tarde a solo enquanto Darko tem sido uma referência musical; talvez por trautear estilos tão diferentes.

Após ter editado o primeiro álbum em 2011, regressou este ano, quanto a mim, melhor que nunca.
"Não me Digas" - single de lançamento - cativou-me bastante. Ouvir Over Expression (o seu segundo trabalho de originais) foi uma descoberta incrível. Entenda-se que apreciar um álbum de principio ao fim é pouco comum.

Eis uma das músicas pela qual me apaixonei desde a primeira audição: .
Letra incrivelmente bem escrita. Sentido e cantado pelo próprio em dueto em Mafalda Arnauth.

Deixem-se tocar e encantar. :)

27 de setembro de 2016

Leve sopro

Somos, fomos...tantos.
As memórias dos que passaram,  ficaram,  saíram e dos que permanecem sem serem vistos.
Eu,  tu, aquele e mais aquele desenhamo-nos uns aos outros em cada sopro trocado.
Assim flutuamos pela vida perfeitamente imperfeita - tal como é.

15 de setembro de 2016

Palavras com eco

Há palavras que dispensam apresentações, opiniões e afins; o eco perdura em nós.


If tomatoes wanted to be melons,
they would look completely ridiculous.
I am always amazed
that so many people are concerned
with wanting to be what they are not;
what's the point of making yourself look ridiculous?

 Mitsuo Aida, (1924 - 1991) – poeta Japonês.

Traduzido por mim.

Se os tomates quisessem ser melões
Seria o cúmulo do ridículo.
Muito me surpreende
Que tanta gente ande empenhada
Em querer ser quem não é.
Faz sentido tu próprio pareceres ridículo?

13 de setembro de 2016

Natação porque sim!




Nunca encarnei a personagem da miúda fit. Desporto a mais, por obrigação cuja motivação é o culto à embalagem – não obrigada – até deve fazer mal à psiquê.
A prática de uma modalidade de que gostamos e que aumente a qualidade de vida é o melhor que pode haver. 
Sempre adorei água. Em miúda vivenciei duas situações de quase afogamento que deram lugar ao medo. Na altura deveria ter sido trabalhada, ou seja, instigada a superar o trauma.
Em adulta, devido a uma dor cronica consequente de uma patologia osteoarticular, com graves alterações estáticas da coluna vertebral - desvio escoliótico lombar de convexidade direita com sinais de artrose – iniciei a prática de natação terapêutica. 
Não só obtive melhorias incidentes nos picos elevados de dor, agora com um intervalo maior de tempo, como, também, notórias alterações no meu estado global: mais solta e mais resistente.
No início passava as aulas a enfrentar o receio. Água no nariz era o cabo das tormentas. Ao recordar esses tempos dá vontade de rir. Vá lá, nunca filmaram as minhas caretas senão até poderia vir a ser convidada a participar num remake de Hitchcock
Pouco a pouco, ao meu ritmo, tudo se alterou. Actualmente, em dias bons, sem dor, chego a nadar 10 a 12 vezes a pista de 25 metros de costas.
É um momento muito meu. Não penso em nada; sou apenas eu e a água, faz-me sentir realmente bem. É terapêutico não só ao nível físico. 
Espero evoluir mais: aperfeiçoar os mergulhos com maior amplitude, por exemplo. Ainda não consigo soltar-me de bruços. O meu inconsciente tolda-me os sentidos… com o tempo chego lá.

Regresso às aulas após o verão a seco. :)

9 de setembro de 2016

Peça do puzzle

Os dias da nossa vida são peças de um puzzle tão nosso nem sempre compreensível 

Hoje de rajada veio a notícia do falecimento de um tio. Foi completamente inesperado; ninguém sabe o porquê de uma indisposição ter ditado uma sentença. 
Antes de assimilar e gerir a perda de um parente, preciso saber como – se é que é possível – transmitir a outro meu familiar directo, irmão daquele? Esta pessoa tem vindo a trilhar um caminho sinuoso, luta contra uma doença grave e encontra-se no limite das suas forças.  Espero conseguir amenizar os estragos na sua saúde tão frágil.

Em boa verdade, ainda não assimilei o que se passou hoje.

A peça de hoje demorará a encaixar.


7 de setembro de 2016

Jogos Paralimpicos 2016


Muito se fala de jogos Olímpicos e de jogos Paralímpicos enquanto estão a decorrer, claro! 
Fica sempre bem aos agentes de autoridade eleitos pousarem ao lado dos atletas.; se tiverem medalhas ao peito ainda melhor – tudo conta para o voto.
Esquecem-se de que o acesso ao desporto, amador e profissional, é um direito de todos. Nem só de futebol vive o homem – digo eu! 
Bem, não vou cortar mais na casaca de uns quantos engravatados. Vamos ao que interessa.

À data de 7 de Setembro de 2016 começam os Jogos Paralimpicos no Rio de Janeiro. 
Portugal faz-se representar por 37 atletas inseridos em 7 modalidades desportivas. 

Mais importante do que os resultados finais é o conhecimento, ainda que genérico, do que está por detrás das imagens, das campanhas e afins.
O que realmente interessa é o suor, a persistência e a impertinência de tantas pessoas envolvidas, profissional e voluntariamente. Quantos apoios negados? Meios de transporte, instalações de duche intolerantes à especificidade física da pessoa, são meros exemplos…

Sabem o valor das bolsas de preparação dos atletas Paralímpicos em comparação com os Atletas Olímpicos?

Será minimamente adequado empregarem-se conceitos como justiça, igualdade e inclusão?
Pois é, creio haverem senhores e senhoras inaptos a procurar no dicionário de qualquer idioma o significado dos vocábulos mencionados.

Porque o desporto aproxima as pessoas, supera barreiras e destrói muros (não só físicos), apoio os atletas que lutam, correm, suam, vencem e se superam, como todos nós. 

Força, campeões!


6 de setembro de 2016

The Gymnastica IV

Lembram-se da viagem a  Bürstadt? Cá vai o roteiro das "nossas" exibições.



O rol de exibições durante o festival era variado. Umas surpreenderam, outras exibiam uns trechos de tédio (perdoem-me a sinceridade, mas simples cambalhotas de trampolim já vimos e revimos), incluindo, ainda aquelas performances que estão no intermédio qualitativo. Apresentam-se em palco com boa técnica, criam boa relação com o público mas não chegam a escalar cume da excelência. Sempre considerei que enquadrávamos bem nessa categoria, pois, também, não “queríamos” mais.
Eramos um grupo composto por oito pessoas, cinco das quais portadoras de deficiência. A nossa performance consistia numa coreografia interpretativa de uma música, quanto a mim, muito gira. Tem uma mensagem simples e forte sem se tornar melodramática/chata.  Música "Read All About It" de Emele Sande. Ouvir aqui.

Curiosamente, após a segunda vez que actuamos fomos notícia num jornal local. Nos dias a seguir, outras equipas sorriram igualmente ao verem-se no mesmo jornal.

Ao terceiro dia, aliás noite, antes de entrar para o palco visualizei as pessoas na audiência e pensei: «desgraçados, vão ver a mesma cena de ontem e de anteontem.» Assim que nos viram, gritaram ainda mais por PORTUGAL – nós (risos!) – e acompanharam a coreografia erguendo a nossa bandeira. É uma sensação indescritível, – surgem formigas no estômago e na coluna – contudo, não permiti que me intimidasse, sentia-me satisfeita por ali estar.

Na noite de encerramento actuamos: apesar de algum cansaço, o entusiasmo era elevado. Desfrutei do momento: cada movimento e cada gesto coreografado foi sentido. Parece que venci o medo do palco. Deixei de me sentir como uma formiga no epicentro de uma manada de elefantes, como nas primeiras vezes em que actuamos no CCB. Respeito o palco e ele tem de fazer o mesmo. Divagações à parte.
Integrei o conjunto de exibições de encerramento. Basicamente, consistia num mix. Atletas de diversas equipas interpretavam excertos. “Calharam-me” duas ginastas acrobatas de origem nórdica, mais dois portugueses. Ironia da ironias: ao trocarmos impressões dou por mim a debitar inglês com um tuga. Rimos em uníssono, claro! Essa parte, ensaiada à pressa, decorreu. Contudo, uma das loirinhas desequilibrou-se. Em fracção de tempo pensei: «ainda bem que não fui eu.» É um bocado mau, eu sei mas…ups!

Quase no encerramento, todos os treinadores foram convocados ao palco. Eu não estava a pescar nada de nada! Quando a minha professora foi ao centro e ergueu “um objecto”, continuava sem saber em concreto, intui que algo se passava porque desatou tudo aos berros. Sabem que mais? Também gritei (risos!). Conclusão: o objecto que vira ao longe era a taça em prata: segundo lugar.

Como referi no primeiro post não era uma competição; as classes representaram o seu país através das instituições de suporte, logo a votação não foi meticulosa. Não tendo levado a sério, antes, aquele momento soube bem. Gostei que a professora tivesse recebido  o troféu por tantos anos a desbravar caminho. Bem como o meu ginásio – uma instituição com mais de 140 anos de existência, tem vindo a dar passos significativos na área do desporto integrado.
Naquela noite, em  Bürstadt saltou a rolha: às tantas da noite a gritar “Portugal olé” pelas ruas a fora.

Loucuras saudáveis que nos fazem sentir vivos – olé!

17 de agosto de 2016

Hiato

Pausa! 
Retenho o instante consciente do que é o presente. Observo os pormenores como quem saboreia uma iguaria com os cinco sentidos.
Coloquei o passado na estante junto dos livros que li; os mesmos que co-produziram quem sou sem precisar de lê-los todas as noites. Noutra prateleira estão os livros por ler - o futuro que me espera sem perturbar até chegar o momento.
Aceito o presente com os seus ângulos e linhas, descobrindo a magnitude de navegar aqui e agora - somente Agora.



12 de agosto de 2016

The Gymnastica III

Outro pedaço da viagem à Alemanha. 

A perspectiva inicial era de não termos de actuar todos os dias, contudo o programa definiu o inverso. O itinerário das exibições será desenvolvido num texto seguinte.

Ao segundo dia fomos passear até à cidade de Benshein.  Segundo consta tem mais de 40.000 habitantes e é a maior cidade do distrito de Bergstrasse.

Havia-se perguntado a acessibilidade do comboio. A resposta anunciava alguma reserva mas indicava que uma das locomotivas a fazer a viagem de ida e volta teria acessibilidade para transportar pessoas utilizadoras de cadeiras de rodas eléctrica. 
Chegámos à estação a contar que tudo estaria em ordem. Tchan! Tan, tan tan.. aparece o dito comboio todo XPTO: portas largas com uma mini rampa automática que parou a uns 30-40 centímetros do chão. “Ó foda-se e agora? Vou dizer para irem eles e eu fico por cá.” Disse sem falar.
[Faço um à parte para explicar que em situações como esta quando se está com outras pessoas é complicado digerir aquela sensação de estar a privá-las de algo por via da falta de acessibilidade.]
Numa fracção de segundos, antes de ter tempo de assimilar o turbilhão de pensamentos, entre transeuntes e conhecidos elevaram a cadeira em peso (qual peso? 112kg dela + 45kkg meus). E catrapum, estava lá dentro! ” Yehhh!!! “ (Palmas!)
Imenso espaço, lugares para a cadeira com óptima vista; sem utilizar deparo-me com um wc adaptado digno de um hotel. Quase fiquei com ar de saloia!  Ai pensei: “ok, os indícios são positivos. Aquela estação é uma entre muitas. É impossível que seja assim em todas, não tem lógica nenhuma.“   Desfrutei da paisagem, sorrindo por estar tudo bem. Ao chegar ao destino o filme repete-se. Sim é verdade, dá vontade de rir à gargalhada, certo? Enfim, são humanos!
O regresso teve um atenuante, em Benshein a rampa ficou ao nível do solo, contudo para sair em Burstad mais uma vez a ajuda das pessoas superou toda e qualquer barreira. Conclusão:  a atitude é o pilar basilar da (in)acessibilidade. (Futuramente voltarei a este tema com maior amplitude.)

Vamos ao que interessa: o passeio por Benshein. 

28-7-2016 em Benshein.

A cidade é um pouco mais evoluída do que Burstad, embora não tenha estilo de grande cidade. Apaixonei-me perdidamente pela arquitectura paisagística. As casas, os candeeiros de rua com canteiros floridos, o jardim com sombras refrescantes, as lojas com montras, as esplanadas.
Ficaram monumentos por visitar por causa das escadas. 

Um dia bem passado.  

10 de agosto de 2016

The Gymnastica II

Continuando a falar sobre a viagem à Alemanha. Ver aqui  a série "The Gymnastica"

Burstad é um lugar tranquilo, bem distante das confusões das grandes metrópoles. A paisagem é composta por moradias de estilo arquitectónico em voga há umas décadas atrás. Algumas até são engraçadas com os seus telhados típicos de inclinação adequada para a neve, têm pequenos espaços de jardinagem bem cuidados e adornos exteriores peculiares.
Nas ruas não há lugar para lixo, folhas secas ou qualquer vestígio de desarrumação. Pouco tráfego, as passadeiras e os sinais de trânsito ainda são escassos. Coexistem ciclovias q.b., de forma integrada, ou seja, não deixa de haver passeio para peões em paralelo. As pessoas circulam a pé ou de bicicleta com naturalidade. 
Como podem imaginar, tive oportunidade de calcorrear as ruas. É das coisas mais gosto de fazer em qualquer lugar. Escutar o vento, os cheiros as cores; perscrutar as gentes, os sons e os silêncios; mesurar as histórias caladas no ar.
O povo daquela cidade vive sem pressa, é hospitaleiro e apto a ajudar. Dá ideia de que se preparam para o festival trianual, sem permitirem que as centenas de pessoas que participam afectem a sua vida de forma pejorativa. Bem pelo contrário, parece que de alguma forma esperam pelos ginastas.



Em Burstad
A aventura continua nos próximos post’s.

5 de agosto de 2016

A ti.



Não sou fácil de derrubar. Se cair dez vezes levanto-me dez vezes e meia graças ao endurecimento da carapaça protectora.
Como digerir a hipótese de que alguém muito próximo pode não sobreviver a uma doença muito grave? Tenho conseguido domar os pensamentos pessimistas, vivendo o melhor possível o momento presente. Tudo o que nos resta é o agora; o passado já era e o futuro é uma incógnita, uma idealização de vida que ainda não aconteceu.
A garganta fecha-se quando a pessoa amada repete aquele discurso de preparação para a própria morte. Procuro deter a avalanche, desviando o foco principal dos seus pensamentos. As palavras que lhe dou parecem-me transparentes, inebriadas por uma força que me foge. Por vezes nem sei o que digo ou o que escrevo nos silêncios. Por vezes não penso, apenas – como se assim não sentisse.
Não desistas de tentar, peço-te…

Que nos faltem as forças mas não a Fé porque a força adormece com o cansaço. 
Esquisitices à parte, a Fé é o quanto basta.

4 de agosto de 2016

The Gymnastica I





De três em três anos realiza-se em Burstad o Festival Internacional de Ginástica: The Gymnastica Bürstadt.
Bürstadt é uma cidade da Alemanha localizada no distrito de Bergstrasse da região administrativa de Darmstadt, estado de Hessen. A cidade é preenchida por aproximadamente 15.541 de habitantes, numa área de 34,46 km². 
Entre 27 e 30 de Julho de 2016 realizou-se a 21ª edição do Gymnastica Bürstadt. Participaram 22 equipas provenientes de 11 países espalhados pelo globo.
Cada classe actuou para largas centenas de expectadores durante quatro serões consecutivos de festival. O espírito de competição esteve ausente; o ambiente era de companheirismo intercultural promovido pela dança interpretativa aliada à ginástica.

Os próximos textos vão narrar experiência(s) vivida numa perspectiva mais intimista. 
Posso adiantar que foi brutal!

Até já. :)

24 de julho de 2016

Estou no ir!

Dentro de dias ingresso numa viagem.
Embora tenha sido informalmente convocada há algum tempo, só há umas semanas quando se tornou irreversível é que tive de dar a resposta final. Estive quase a desistir -  foi por um triz.
Poderia falar da lista de afins para enfiar na mala mas não me apetece. Prefiro enumerar o que espero desta viagem.
Tenho de afogar algum nervosismo/ansiedade ou patetice.
Preciso accionar o botão de me auto-desligar do que foi, do que é e do que é provável que venha a ser.
Quero aproveitar ao máximo cada momento e conhecer outros horizontes.




Contem com novidades em breve.
Auf Wiedersehen!

17 de julho de 2016

Dias e dias

O diâmetro dos dias tem os seus desígnios.
Se comparar com o quotidiano de há uns meses, nestas últimas semanas tenho experimentado algum apaziguamento. Curiosa e estranhamente a tensão muscular tem feito comícios à rebeldia. Nada de irresolúvel: seja com diplomacia ou com chicote.
É uma calmaria superficial. Falta conhecer os últimos resultados médicos; saber se os próximos 2/3 meses serão assim – sem idas e vindas hospitalares com todo o peso e significado inerentes. Evito pensar, mas os neurónios dão luta.

Em paralelo, entrou na minha vida alguém que restabeleceu parte da segurança perdida. Sei que posso contar com ela. É engraçado como depois de tantos desencontros, o destino encaixou os ponteiros – dá que pensar (ou talvez seja assim que deve ser)! Podia ser apenas uma parceria? Sim! Contudo, há uma ligação bem mais consistente que o tempo irá consolidar.

As emoções parecem querer desalinhar a órbita. Depois de tanto “trabalho” para serenar a rapaziada do hemisfério cerebral direito, eis que dou por ela em modo “tonturas”. Vejamos: em poucos dias, cruzei-me com histórias reais – autênticos socos no estômago – que envolvem crianças, adultos, velhotes e animais vitimas de carrascos desumanos com aspeto de gente. Uma a uma foi dissolvendo o escudo criado.
Já estava a amolecer quando um parente confidencia que o gatinho que recolhera da rua, ainda bebé em Outubro último, caiu da varanda e fraturou as patinhas da frente. Está internado e será operado muito em breve. Nas entrelinhas desta história trágica emergiu a tenaz proposta de nem tentar salvar a doce criatura. «Uma facada no peito dos donos.» –  Subentendi em choque através das confidências.  O dinheiro está a anos-luz de sobejar no seio daquela família, mas a dignidade humana sobrepõe-se ao que para muitos indigentes será tido como essencial e indispensável.

Penso para comigo: não ser capaz de imaginar aqueles dois miúdos de 7 e 13 anos (aproximadamente) a chegarem a casa e depararem-se com tal cenário. Nem consigo calcular como é que aqueles dois adultos geriram a situação. A imagem que mais vezes atravessa os meus olhos, é a do gatinho… chama-se Lucky. Faça-se justiça ao seu nome.

Do trivial concluo, mais uma vez, que sou de estranhas vontades. Se por um lado desejaria parar o tempo para não voltar ao dia-a-dia dos últimos meses, por outro queria empurrar os ponteiros para saber em concreto como serão os meses ou semanas seguintes e para o Lucky já estar recuperado.

Seres dicótomos é o que somos.

14 de julho de 2016

Sonhar é Preciso


«(...) Sonhe com a Lua, para poder pisar as montanhas. Sonhe com as montanhas, para pisar sem medo os vales das suas perdas e frustrações. 
Apesar dos nossos defeitos, precisamos de ver que somos pérolas únicas no teatro da vida e compreender que não existem pessoas de sucesso ou pessoas fracassadas. O que existe são pessoas que lutam pelos seus sonhos ou desistem deles.»

Augusto Cury, in 'Nunca Desista dos Seus Sonhos'

Um autor que muito diz.

7 de julho de 2016

Pensamentos #7


Por mais simples que pareça nem sempre ligamos ao óbvio.
A fórmula certa para nos mantermos saudavelmente bem é saber ser 'desenhador da nossa vida'. O que, por si só, requer persistência, gentileza, determinação e desapego do que não necessitamos ou não nos faz bem.

6 de julho de 2016

Nabos, onde estão?

Deslizava pela rua com ligeireza. Subitamente uma senhora interpelou-me com tom de voz nasal.
- Ó menina, ó menina… onde é que há aqui uma loja de nabos?
- Loja de nabos!? – Procurei confirmar.
- Sim. Preciso de nabos…
- Ah! O supermercado! Ali à frente tem o X e o Z. Ficam na mesma rua, um quase em frente do outro.
- O que é um supermercado? Será que vendem nabos? Preciso mesmo de nabos.
- Vendem sim, minha senhora.
- Obrigada.
Não pude deixar de ouvir o tico a comentar com o teco: «Uma naba em busca de nabos, literalmente!»


4 de julho de 2016

"Tristeza Entrançada"




Cruzei-me com um texto de uma blogger mexicana - Paola Klug. 
Embora não saiba quem traduziu, partilho pela beleza entrançada.

Para ler o original em Espanhol abrir aqui.

“A minha avó dizia-me que quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia fazer era entrançar o seu cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e não pudesse atingir o resto do corpo. Havia que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que também não se metesse nas mãos porque se pode deixar tostar demais o café ou queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo.
Quando te sintas triste menina- dizia a minha avó- entrança o cabelo, prende a dor na madeixa e deixa escapar o cabelo solto quando o vento do norte sopre com força. O nosso cabelo é uma rede capaz de apanhar tudo, é forte como as raízes do cipreste e suave como a espuma do atole.Que não te apanhe desprevenida a melancolia minha neta, ainda que tenhas o coração despedaçado ou os ossos frios com alguma ausência. Não deixes que a tristeza entre em ti com o teu cabelo solto, porque ela irá fluir em cascata através dos canais que a lua traçou no teu corpo. Trança a tua tristeza, dizia. Trança sempre a tua tristeza.E na manhã ao acordar com o canto do pássaro, ele encontrará a tristeza pálida e desvanecida entre o trançar dos teus cabelos.”


Paola Klug


30 de junho de 2016

Ser


Desfeitas as sombras, refresco-me na árvore que me escuta.
Despida de lembranças do que foi e do que era para ser.
Em paz com o que tinha de ser.
Bebo o tempo por fazer: aqui e agora.
Saboreio o cheiro das palavras ao vento que me veste.
Mergulho na água a contemplar o horizonte...
Deixo fluir com gentileza.



20 de junho de 2016

Terapia alternativa

  


A música tem um efeito mágico em mim. 
Está presente em todos os momentos: alegres, melancólicos, descontraídos, tensos, de cansaço ou de reflexão.
Encontrar o tema adequado ao fragmento temporal que percorremos é o truque – o meu!

Ouvir o som no ritmo ideal tende a aumentar a capacidade de concentração e consequente rendimento. Sei-o por experiência própria. 
Inspirem-se.

15 de junho de 2016

Em crescimento

Durante amos desenvolvi trabalho comunitário numa Associação sem fins lucrativos. Aderi no final de 2010 como participante, até que em 2012 comecei a colaborar no planeamento e concretização de actividades culturais, sociais e recreativas.
Aquela assume como missão colmatar o isolamento involuntário de pessoas em risco ou na situação de exclusão social. Defende que a individualidade de cada pessoa, pode contribuir para edificar uma Sociedade mais justa e igualitária, plena de direitos e deveres para todos.

Em suma, a diversidade humana é algo positivo e enriquecedor. Identifico-me com esta visão, tendo em conta que os valores basilares cruzam os que defendo e acredito.
No seio desta Associação, vivenciei experiências únicas, muito positivas. Cresci/desabrochei como pessoa a todos os níveis da minha vida.

Há cerca de seis meses a minha vida pessoal e familiar deu uma volta de 360 graus. Alguém muito próximo afectivamente enfrenta um estado avançado de uma doença que pode ser fatal. O núcleo familiar, no qual, estou inserida adaptou-se a uma nova rotina. Internamentos e situações in extremis passaram a fazer parte dos nossos dias. Apesar do desgaste emocional, procuro não perder a esperança de que esta situação possa estabilizar. Como seria de esperar, há momentos em que a porta do pessimismo, do medo ou do pânico quer abrir-se. Ai penso que não posso permitir que esta se escancare; não só por mim, como também pela pessoa doente e pela outra que, tal como eu, permanece ali para o que for.

Quando a vida nos abana e sacode sem aviso, impera a necessidade de restabelecer prioridades congruentes com os nossos limites, adiar projectos e até ceder a concessões independentemente na nossa própria vontade.

Inicialmente a Associação onde colaborava como voluntária foi informada, tendo aceitado o meu pedido de afastamento temporário. Com o passar do tempo começaram a surgir indirectas subtis com sentido oblíquo, tendo por isso mesmo ignorado e considerado como uma percepção errónea da minha parte.
Um não belo dia, transformou-se em discurso directo com conteúdo acusatório. Como se tivesse escolhido ausentar-me daquele grupo e das funções que concretizava antes por puro prazer.
Tal abanão (mais um em tão pouco tempo) fez-me reflectir sobre o que posso e não posso permitir, o que quero e o que faz sentido. Ponderadamente comuniquei a decisão de sair dos órgãos sociais. Pelo projecto nutro o maior respeito, espero que cresça em abrangência e amplitude.
Não foi uma decisão fácil. Houve um estreito envolvimento com o projecto; costumava dizer a brincar que a essência daquela Associação corria-me nas veias. Ficou um certo vazio apesar de ter saído por decisão própria. Com o tempo tudo se encaixa.
Também é verdade que custa encarar que uma ou outra pessoa considerada como amizade para a vida, não o é. Consigo exercitar o discernimento para separar as águas.

Entendam-se as diferentes reacções quando um/a amigo/a passa por uma fase difícil:

  1. há pessoas que não sabem como reagir ou o que dizer, mas em atitude e em linguagem não verbal demonstram que estão lá;
  2. há pessoas que procuram aquela que está nos corredores de um hospital à espera de noticias para relatar o trágico episódio de terem partido uma unha;
  3. há, ainda, as pessoas que questionam repetidas vezes a mesma coisa. Talvez por falta de memória, uma vez que tendemos a esquecermo-nos das conversas meramente circunstanciais.
O respeito pela diversidade humana passa por aceitar a especificidade do outro, sem desconsiderar a nossa de forma equilibrada e sem arrogância. 

Durante esta fase, as pessoas próximas têm-me transmitido força, cada um à sua maneira. Ouvem-me (ou lêem-me), dão-me espaço quando não quero abordar o assunto, alinham em conversas patetas quando é exactamente o que preciso para desligar.

Estou grata pelo que aprendi e pelas ferramentas, em constante evolução, que desenvolvi para enfrentar a vida em todas as dimensões.

Não interessa muito saber como caímos, importa, sim, descobrir como nos levantamos e seguimos em frente. Acredito firmemente nas capacidades de adaptação e de optimismo.

13 de junho de 2016

Vamos a contas!

Se vestisse a pele do famoso e tão aclamado Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, tomava a irrevogável decisão de o Santo António ser sempre a uma segunda feira. Assim o dia de Camões e das Comunidades calhava sempre a uma sexta feira. Tudo em prol da moral dos portugueses/as. Afinal se o povo andar desmoralizado a economia entra em espiral decrescente. Urge tomar medidas preventivas.

Fica a nota devota e patriótica.

    5 de maio de 2016

    Situações Limite


    O que são? Pelo que se observa, a definição difere consoante a experiência, a maturidade e o modo de estar de cada um.
    Consideram-se situações limite, aquelas cujo risco de vida é eminente. Não só a vida como valor absoluto da existência, como, também, a vida tal como a conhecemos. Ou seja, o individuo experiencia uma vulnerabilidade desconhecida até então - doença crónica, tratamentos, ou acontecimentos críticos – em que o reajustamento e a adaptação são vitais; decorrem grandes alterações aos mais diversos níveis da vida funcional e emocional da pessoa. Na fase subsequente à integração do “acontecimento crítico” desenham-se as transformações que o processo de transição inclui: reconstrução do self e da identidade. Dá-se sentido a um novo insight. 
    No quotidiano, é comum fugirmos de histórias tristes, episódios profundamente dramáticos, que abalam a nossa estrutura emocional. É normal evitar terramotos, a bem de um certo equilíbrio que nos permita vivenciar todos os parâmetros da vida que construímos. Virar a cara para não encarar o sem-abrigo olhos nos olhos, desviar o pensamento daquela criança com cancro em estado avançado são estratégias de evitamento intrínsecas à natureza humana. Não obstante a depressão é uma doença, por isso estamos formatos para preservarmos a nossa saúde [pelo menos] nos valores mínimos. 
    A linha que separa as estratégias de evitamento criadas pelo cérebro e as atitudes comportamentais de puro egoísmo é ténue. Quantas e quantas vezes ignoramos o nosso dever de exercer a cidadania em prol dos outros, dos animais e do ambiente? Quantas vezes estamos indisponíveis para os mais próximos, sem justificação plausível?
    As situações limite tocam à campainha, sem aviso, e entram pela casa dentro sem permissão. Por mais simulacros empíricos que tenhamos apreendido nunca, mas nunca mesmo, estamos preparados.
    É necessário adaptarmo-nos a uma nova realidade. Subsequente à adaptação emerge na pessoa uma força para enfrentar o que se segue; a visão do mundo ganha outra dimensão, perspectiva-se a realidade sob ângulos diferentes, as prioridades sofrem alterações drásticas e o sentido da vida é reformulado, bem como os porquês.
    Por mais aterrador que seja experienciar acontecimentos dessa natureza há três elementos fulcrais: a fé – incluindo o optimismo perseverante, o amor e a capacidade de delimitar pensamentos e sentimentos negativos e ansiosos.

    15 de abril de 2016

    Pensamentos #6


    Ir à luta não é opção, é obrigatório a todo e qualquer ser vivo.
    Quanto mais "transpiradas" são as nossas conquistas maior será o gozo alcançado.

    27 de março de 2016

    Olha, olha!


    «Se o dinheiro é a origem de todos os males porque é que perguntam por ele na igreja?»

    Quantos mais sermões se pregam, maiores são as verdades paradoxais.  

    24 de março de 2016

    21 de março de 2016

    21 de Março

    Dia da Poesia: vivam todos os poetas em nós.

    Sophia de Melo Breyner - sempre!

    Hoje

    O hoje apareceu
    Como se não tivesse existido ontem
    E o amanhã fosse um visitante desejado
    Para quem se preparam iguarias,
    Escolhe-se o melhor vestido.
    Hoje a agitação do mar
    Desperta-me os sentidos.
    Atiça-me o apetite.
    A calmaria do movimento
    Dá-me fome de mais e mais…

    |6-6-2012|

    Mais sou

    Despida de ti,
    Ausente do desejo de te ter,
    Longe do teu lado na cama...
    sinto-me mais mulher: 
    visto o meu melhor vestido, arrisco uma outra maquinagem.
    Saio para o mundo que me espera.
    Bebo-me.

    Escrito a 25-7-2014

    Tempo Quebrado

    Há uma lágrima que quer brotar… 
    Será tristeza, revolta ou mágoa 
    O chão rodopia na sombra impenetrada 
    O tempo anda sem parar e pára sem fluir 
    O tempo de fugir é o momento de ficar 
    A hora passa sem falar… 
    O minuto vem bradar, 
    O segundo guinchar. 
    Atirei o relógio ao ar. 
    Partindo o tempo em mil e um cacos.

    |14-11-2012|

    16 de março de 2016

    Pensamentos #4


    A humanidade carece de açúcar.

    8 de março de 2016

    7 de março de 2016

    Pensamentos #2


    Há dias...



    5 de março de 2016

    Candeeiro de Pedra


    Algures, para lá de nenhures, existe um candeeiro apagado.
    À luz do dia é invisível: quem passa não o vê e quem lá pára não ouve seu respirar.
    De noite é ignorado pelos morcegos. No escuro vive em sobressalto. A música delirante dos bêbados aos trambolhões abana o seu esqueleto subnutrido, arrepia os seus fios outrora a funcionar e estremece a lâmpada rachada. Ainda que se sinta ameaçado, os bêbados cadentes são os únicos a vê-lo antes da ressaca. Vêm-no infiltrado nas alucinações, como um corpo estranho. Ora minga, ora cresce, ora triplica em sombras a rodopiar.
    Naquela rua sem nome o candeeiro sente-se só, perdido em lembranças esfarrapadas e corrompidas pelo tempo.
    Vem-lhe muitas
    vezes à memória a menina-mulher de saltos altos, vestida de vermelho. Dançaram tantas vezes juntos: a melodia do olá, o samba do verão, o twiste, a rumba e a serenata à chuva.
    A mulher envelheceu, desceu dos saltos e desapareceu.
    Pobre candeeiro alucinado e solitário, à espera dela, que é como quem diz: doido de pedra.


    |12-2-2013|

    27 de fevereiro de 2016

    Pensamentos #1


    Agradeço ao luar. :)

    22 de fevereiro de 2016

    Escola para quem?

    Era uma vez uma criatura que gostava de contar histórias. Certo dia ouvi contar, mais ou menos assim:
    A Raquel andava à procura de uma Escola de Condução à sua medida. Rodou a sua cadeira-de-rodas; pesquisou e perguntou até que lhe indicaram uma. Observou o mapa, andou a brincar com o street view e ficou interrogativa: “Um prédio baixo na zona antiga de Alcântara, será que tem elevador?  Hum, creio que sim…!”
    Lá foi a Raquel agarrar no telefone, de língua afiada para proclamar as questões todas. Do outro lado atendeu a Anália, de mola na ponta do nariz, com uma voz fanhosa:
    -  Escola de Condução, boa tarde.
    – Boa tarde, gostaria de saber… blá blá blá – Explicou a Raquel solenemente.
    – Temos carros adaptados e estamos preparados para todos os tipos de deficiência. – Cuspiu a Anália com a mola no nariz mais apertada.
    A Raquel, pelo sim pelo não, intuitivamente perguntou:
    – Sei que estão no 1º andar, têm elevador, certo?
    – Não!
    – Não?!?  Como é isso pode ser se disse que estão preparados… Por acaso, eu ando em cadeira de rodas.
    – Sim estamos preparados para todos tipos de deficiência. Mas porque é que não sobe as escadas? – Perguntou a Anália como se estivesse a esforçar-se ao máximo para abrir as janelas empenadas do seu “sótão”.


    Julga  tratar-se de uma história de ficção cientifica? Está humanamente enganado!


    21 de fevereiro de 2016

    Carta Fechada

    Um dia abri-te a porta principal, convidando-te a entrar. Vieste instalar-te sem licença, alteraste o mobiliário, denegriste a decoração e remexeste o fundo das gavetas. Do cume da tua torre destruíste o cenário convicto que o meu castelo era de areia. 
    Nem chegaste a conhecer-me, a desvendar mistérios ou a conhecer os meus sonhos, aspirações e projectos. Não quiseste!
    O abanão foi forte, chorei sangue, confesso. 
    Agora arrumei os restos da tua encenação e recrio um novo palco onde danço.
     Não há mais lágrimas para ti e nem para nenhuma das personagens tristes e ridículas que interpretas sem arte. 
    É de lamentar a tua estagnação, o teu egoísmo, a tua vaidade vazia e a tua inteligência subaproveitada; ainda tens de aprender à força – esse é o caminho mais longo e doloroso, meu caro. 
    Vislumbro a tua cegueira psicótica, cada vez mais longe no meu horizonte. Quando algures no tempo perceberes que andaste perdido e quiseres saltar o muro que tu ergueste, não estarei lá com um sorriso a indicar uma nova direcção.



    Vejo-me ao espelho e descubro outra pessoa, bem melhor que aquela que deixaste para trás.
    Agradeço pelo que me ensinaste. Aprendi que qualquer desgosto é como uma pedaço de gelo. É preciso agarrar, envolver e desfazê-lo com o nosso calor interno. Quanto mais queimar, tanto melhor.
    Agradeço também por me teres ensinado que não consegues destruir a minha essência. Se tu não conseguiste ninguém conseguirá.

    Adeus.

    |31-01-2013|

    17 de fevereiro de 2016

    Olá.


     Anna Del Mar é uma mulher de múltiplas facetas em constante evolução, 

    Nascida, criada e bem vivida em Lisboa – cidade que amo. A génese das minhas origens passa pela Beira-Baixa, Beira- Alta e alto Minho.
    A vida tem sido generosa comigo, apesar de à vista desarmada não parecer, o que não deixa de ser engraçado e estimular a minha criatividade para satirizar os velhotes dos Restelo.

    Cabelos ao Vento vai crescer com os bons ângulos que a vida possibilita apesar de todos os ventos de inverno.
    Desejo sinceramente que este blog tenha uma vida longa, que seja cúmplice de aventuras, reflexões e boas conversas.

    Espero que gostem e que se mantenham desse lado. :)