16 de julho de 2017

Para mim

Símbolo do Infinito 


Sem procurar encontrei.
Pois é, hoje a deambular pelo jardim - um local familiar e repleto de histórias - despertei com o sorriso sincero de uma desconhecida. Era uma vendedora de peças diversificadas. Um conjunto de pendentes com o símbolo do infinito captou a minha atenção. O mais pequeno era muito bonito pela simplicidade.
O preço era simpático, não digo valores para não dar azo à fama de forreta. Permiti-me oferecē-lo a mim.
Já ofereci este símbolo em fio a alguém que atravessava uma fase difícil, acreditando que podia confortar.
Gosto deste símbolo pelo que representa.

15 de julho de 2017

A ti. De Ti Para Nós




A 6 meses de teres partido, ainda me custa sobreviver-te..

No momento em que as tuas cinzas foram incorporadas no grande mar, entre filhos e neto, procurei homenagear a tua presença com um poema.

Não chores. Alegra-te!
Sou agora…
aquela estrela ténue que brilha;
a suave brisa que sopra;
o raio de sol que te toca;
o silêncio do pássaro que passa;
as mil cores do teu jardim.
Alegrai-vos! 
Adormeço docemente entrelaçada
em cada sorriso vosso.
Amem-se!

AP

11 de julho de 2017

9 de julho de 2017

Sentir... não!

Em tempos idos, era uma miúda fechada: falava pouco sobre assuntos delicados. No entanto, comunicar sobre banalidades entre pares não era grande problema. Talvez por isso, esta faceta passasse despercebida.
A minha mãe foi a pessoa que percebeu e contrariou este meu traço, tendência - o que seja.
Interpelava-me, quase sempre na hora certa: "desabafa, não guardes tudo para ti". Dizia muitas vezes.
Admito que nem sempre contava tudo, como seria de esperar, mas aquela compreensão deu-me segurança, tornando-me numa mulher mais  comunicativa e mais aberta.
É certo que as pessoas  não mudam por um acontecimento ou por um factor e sim por um conjunto de variáveis interligadas.
Actualmente noto dificuldade em expressar o que se passa comigo. Involuntariamente dou por mim a fugir, em pânico, de diálogos centrados em mim, especialmente sobre o que sinto.
Se questionar a matriz desta mudança algumas hipóteses sobressaem. 
a) estar a bloquear sentimentos e emoções -ainda dolorosos. 
b) não conseguir confiar a ponto de me abrir. As pessoas vivem a correr,  daí a baixa  disponibilidade para ouvir sem julgamentos, independentemente de ter de contrariar o outro. Julgar e discordar são afinal comportamentos / atitudes bem distintas.

Consigo apenas reter uma das críticas que a minha mãe me dirigia: "entregas-te e confias demasiado."
Não sentir pode ser o caminho que se abre, quiçá o único.



13 de junho de 2017

Caminhante

Caminhante por ruelas sem nome, despede-se, a cada passo, do vento que a havia circundado. Nas pedras da calçada calcorreada deposita os gritos, as palavras mudas, as silabas gravadas, as notas de música entrelaçadas na ampulheta estanque. 
Trespassa multidões vazias de gente. É atropelada por uns quantos solitários  e, até, ausentes de si próprios. Tenta desenhar as histórias daqueles seres: razões, sentimentos e enredos mesurados pelo olhar de cada um.
São histórias – umas cruzaram a sua, outras nem tanto – timbradas em livros fechados e encaixotados.

Caminha sem bagagem com um livro em branco por escrever.
Flutua.


11 de junho de 2017

6 de junho de 2017

Vazio


Daqui a poucos dias faz 5 meses que me morreste. Diante do meu olhar incrédulo abandonaste um corpo que te algemava a um sofrimento lancinante.
Depois de permitirem voltei a ti, puxei o lençol e trouxe a tua mão ao meu rosto. Nunca havia sentido tanto frio. Um frio que permanece até hoje.. Uma lividez e um cheiro qúe vai reaparcendo demasiadas vezes.
Não sei como te sobrevivi tanto tempo.
Poderia suplicar-te, aliás já o fiz: "Leva-me contigo. "  Na verdade,  mãe,  acho que já fui. O melhor de mim partiu contigo.
Sinto falta de não-julgamento e de paciência para com a minha condição;
falta de acreditar que sei o que fazer;
falta de chão;
falta de céu;
falta de abraço verdadeiro;
falta de mim... de ti - essencialmente ďe ti.

Momentos houve, neste entretanto, que me senti e julguei capaz. Agora... este  "agora" não é nem tempo, nem substantivo, nem verbo é nem adjectivo. É tão somente um vazio em mim.
Há quem me culpe por ... sei lá porquê. Talvez porque não me conhecem e por te esquecerem com facilidade.